Filmes assistidos no Festival do Rio 2008 na ordem da minha preferência:
1. This Is England (This Is England, Reino Unido, 2006). Escrito e dirigido por Shane Meadows. Sem dúvida, o melhor filme que conferi no festival. Apresenta a integração do garotinho Shaun como mascote em um grupo de skinheads durante a década de 80. O grupo é bacana, veste figurino punk, alguns vandalismos leves, mas nada da violência que podíamos esperar. Até que aparece Combo, um conhecido da trupe, que oferece uma luta por um ideal nacionalista. A principio, toda a conversa faz sentido e, como o próprio Shaun, acreditamos na legitimidade dos ideais de Combo. Mais tarde, Shaun percebe que tudo não passa de um grande eufemismo para os verdadeiros sentimentos daquele grupo. É um pequeno-grande filme que capta o momento de transformação dos skinheads de um grupo urbano sem grandes ideologias para defensores fervorosos da direita nacionalista. Exemplar despretensioso, mas que causa uma forte impressão. 5 estrelas.
2. E Buda Desabou de Vergonha (Buda Az Sharm Foru Rikht / Buddha Collapsed Out Of Shame, Irã/França, 2007). Escrito por Marzieh Makhmalbaf. Dirigido por Hana Makhmalbaf. O filme é curtinho, é levinho, mas tem um peso emocional social enorme. O que lhe chama a atenção é a sua grande densidade. Ou seja, oferece muito, contando pouco. Coincidentemente, também acompanha a história de uma criança. Desta vez, a garotinha afegã Baktay de seis anos, que mora perto da estátua de Buda destruída pelos talibãs. Ela é encorajada por um amigo a ler e a escrever e seguimos sua tentativa de chegar à escola, mas encontra diversos reflexos de uma sociedade violenta/violentada. Além disso, a garotinha protagonista é adorável. Desde o início até a frase final, tudo está concatenado com o brilhante título. Belíssimo filme. 5 estrelas.
3. Sinédoque, Nova York (Synecdoche, New York, EUA, 2008). Escrito e dirigido por Charlie Kaufman. Típico filme “Kaufmaniano”. “Sinédoque, Nova York”, de uma forma ou de outra, receberia um enorme número de críticas. Seu ponto fraco é um disfarce do ponto forte: a complexa metalinguagem. Complexidade e exagero que são essenciais à proposta. Muitos podem considerar que Kaufman se perde, abusa, excessede-se, principalmente, na terceira parte do filme. Na verdade, o roteiro mergulha, profundamente, na metalinguagem, e toma vida própria, perdendo-se por si só de propósito. Se não fosse assim, reclamariam que ele não teria explorado bem o tema. E ter permitido o roteiro seguir sozinho foi corajoso de sua parte. Ora, se ele oferece uma arte que imita a vida literalmente, o próprio desenvolvimento da arte deve integrar a arte e assim por diante. Inevitavelmente, acaba gerando uma grande e interminável sinédoque de idéias. Então chegamos justamente onde o diretor teatral Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman, magnífico. Oscar?) se encontra: perdido no sentido de sua própria vida. Excelente filme, quero revisitá-lo em breve. 5 estrelas.
4. Feliz Natal (Brasil, 2008). Escrito por Selton Mello e Marcelo Vindicatto. Dirigido por Selton Mello. Deselegantes planos fechados de Mello. Porém, são justificáveis, pois quanto mais próximos estamos dos integrantes daquela família, mais queremos nos afastar. O incômodo, a opressão são todos transmitidos através da linguagem narrativa. Porém, o abuso do recurso é uma faca de dois gumes, já que aborrece após 20 minutos de projeção. Apesar disso, é um filme denso e maduro. Todo elenco cumpre bem a sua função. Excelente a participação de Darlene Glória, vivendo uma personagem desajuizada, mas que possui as opiniões mais perspicazes. No meio de personagens tão sem esperança, os amigos de Caio (Leonardo Medeiros) também se destacam por retratar, com perfeição, o cotidiano de um grande número de brasileiros, que se utilizam do humor para lidar com a desgraçada existência. 4 estrelas.
5. REC ([Rec], Espanha, 2007). Escrito por Jaume Balagueró, Luiso Berdejo e Paco Plaza. Dirigido por Jaume Balagueró e Paco Plaza. A trama apresenta a repórter Ângela e seu câmera gravando a rotina dos bombeiros para um programa de TV. Quando ocorre um chamado, eles vão juntos a um prédio onde os moradores estão apavorados. O que era uma situação de rotina se transforma em uma noite de horror. Depois de “A Bruxa de Blair”, que despertou o terror em primeira pessoa, vieram bons exemplares como esse “Rec” e “Cloverfield”. Não o considero genial, mas não há como negar toda sua eficiência ao que se propõe: assustar. Em breve, chega a refilmagem estadosunidense “Quarentena”. Muito provavelmente, dispensável. Este longa é bacana, é objetivo, conta com boas atuações, roteiro bem amarradinho, boa direção, e vale a pena conferir a língua espanhola em uma produção do gênero. Enfim, funciona bastante. 4 estrelas.
6. Queime Depois de Ler (Burn After Reading, EUA/Reino Unido/França, 2008). Escrito e dirigido por Ethan Coen e Joel Coen. Irmãos Coen em ótima forma. Sátira de humor negro sobre espionagem com ótimas atuações, com destaque para John Malkovich e Brad Pitt. Precisa falar mais? 4 estrelas.
7. Fatal (Elegy, EUA, 2008) Escrito por Nicholas Meyer, baseado em romance de Philip Roth. Dirigido por Isabel Coixet. O professor universitário sessentão David Kepesh (Ben Kingsley) provoca grande fascínio em suas alunas. É então que ele conhece Consuela Castillo (Penélope Cruz), por quem viria a desenvolver uma paixão adolescente. E não é que eles demonstram uma excelente química. Claro que isto se deve ao talento de seus intérpretes (Oscar?). No entanto, o fato de formarem um par fora do normal é bem aproveitado pelo roteiro. Ao invés de optar pelo fácil, que seria a reação da sociedade, o enredo mergulha nos dramas internos dos personagens. Acompanhamos o personagem de Kingsley tentando confiar na relação e lutando contra os próprios tabus. 4 estrelas.
8. O Menino do Pijama Listrado (The Boy In The Striped Pyjamas, Reino Unido, 2008). Escrito por Mark Herman, baseado em romance de John Boyne. Dirigido por Mark Herman. O longa apresenta a visão ingênua de Bruno, um garoto alemão filho de um oficial de Hitler, sobre fatos da II Guerra Mundial. O grande trunfo do filme reside na pureza contrastada com a realidade já conhecida. Temos ciência dos perigos que Bruno enfrenta sem saber, o que oferece uma grande tensão durante todo a trama. Essa adaptação me lembra muito o genial “O Labirito do Fauno”. Enquanto a criança daquele vive uma realidade paralela para fugir da dura realidade, a deste interpreta os fatos de uma forma leve. Para mim, é inevitável comparar as duas obras, fazendo com que o filme de Herman ganhe menos prestígio do que merece. Afinal, é um belo filme. 4 estrelas.
9. Um Conto de Natal (Um Conte De Noël / A Christmas Tale, França, 2008). Escrito por Arnaud Desplechin e Emmanuel Bourdieu. Dirigido por Arnaud Desplechin. Reunião familiar, mágoas, decepções, reavaliações, superações nas festas de fim de ano. Qualquer comparação com “Feliz Natal” de Selton Mello é mera coincidência. As semelhanças param por aí. Enquanto a direção de Desplechin é elegante, Mello abusa dos planos fechados e câmera nervosa. Os personagens de “Um Conto de Natal” tentam superar as diferenças, enquanto os de “Feliz Natal” afundam em amargura. É um bom filme, mas dura mais do que o desejado. 4 estrelas.
10. Rebobine, por Favor (Be Kind Rewind, EUA, 2008). Escrito e diigido por Michel Gondry. Está certo que algumas das situações apresentadas neste novo trabalho de Gondry soam implausíveis. Mas, primeiro, elas não se levam a sério; segundo, é incontestável que rendem ótimos momentos. Não sei como não se divertir nas tentativas absurdas de Jack Black e Mos Def de refilmar grandes clássico do cinema estadosunidense. Humor leve e contagiante. Tem tudo para se tornar um clássico da “Sessão da Tarde”. 4 estrelas.
11. Waltz With Bashir (Idem, Israel/Alemanha/França, 2008). Escrito e dirigido por Ari Folman. Um ex-combatente combatente da Guerra do Líbano nos anos 80 (o próprio diretor Ari Folman) está sendo atormentado por um recorrente sonho sobre cães raivosos. Ele acredita que pode estar relacionado a sua experiência na guerra. Então procura colegas para lembrar, pois sua memória fez questão de apagar tudo. O ponto forte desta animação é a objetividade (Oscar?), retratando com perfeição os efeitos da guerra na mente de um ex-soldado. 4 estrelas.
12. Rock'n'Rolla - A Grande Roubada (RocknRolla, Reino Unido, 2008). Escrito e dirigido por Guy Ritchie. Típico filme de Ritchie. Quem o curte, vai se divertir. Quem não o curte, vai achar uma baboseira sobre gangsteres. O ponto negativo é que Guy Ritchie está ficando sem assunto. A grande diferença desse projeto para “Snatch” e “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” é a presença ainda mais forte do humor. Mas se George A. Romero é apaixonado por mortos-vivos, por que Ritchie não pode ser por gangsters? 4 estrelas.
13. Easy Virtue (Idem, Reino Unido, 2008). Escrito por Stephan Elliott e Sheridan Jobbins, baseado em peça de Noel Coward. Dirigido por Stephan Elliott. Está é uma adaptação de uma peça de teatro britânica, levada às telas por Alfred Hitchcock e agora refilmada por Stephan Elliott. Mas para minha surpresa, o enredo se trata de uma versão de época e pomposa de “Entrando numa Fria”, que por sua vez, é uma refilmagem de “Meet the Parents” de 1992 que nunca chegou ao Brasil. Onde eu quero chegar: troféu “Romeu e Julieta”, tema mais usado do que cama de bordel. Tem seus pontos positivos, claro. Destaque para o humor refinado de Colin Firth. 3 estrelas.
14. Cordeiro de Deus (Cordero De Dios / Lamb Of God, Argentina/França/Chile, 2008). Escrito por Lucía Cedrón, Santiago Giralt e Thomas Philippon Aginski. Dirigido por Lucía Cedrón. Os realizadores deste filme encontraram um meio interessante para falar da opressão ditatorial na Argentina da década de 70. Arturo, um veterinário é seqüestrado, e sua neta Guillermina fica encarregada das negociações. Aos poucos, segredos do passado envolvendo perseguições políticas vêem à tona, ilustrando que os efeitos da ditadura podem percorrer décadas. 3 estrelas.
15. Minha Mágica (My Magic, Singapura, 2008). Escrito por Eric Khoo; Kim Hoh Wong. Dirigido por Eric Khoo. O filme conta com uma fotografia terrível. Mal se consegue enxergar o que acontece na tela. Entretanto, a sua trama acaba compensando. Francis trabalhava como mágico. Após ser deixado pela esposa, ficou responsável pelo filho Rajr e entregou-se a bebida. Quando percebe ser uma péssima influência como pai, retorna aos números de mágica e dedica-se a redenção com o filho, mesmo que precise ir até as últimas conseqüências. 3 estrelas.
16. Tora-San, Nosso Adorável Vagabundo (Otoko Wa Tsurai Yo / Tora San Our Lovable Tramp, Japão, 1969). Escrito por Azuma Morisaki e Yôji Yamada. Dirigido por Yôji Yamada. Imagine um Carlitos falastrão, beberrão e de olhos puxados. Esse é Torajiro, vulgo Tora-San. Apesar de ser muito mala, esbanja carisma. É ótimo vê-lo em cena. Queria ter visto as duas seqüências, por incompatibilidade de horários, não deu. 3 estrelas.
17. Gesto Obsceno (Tnuah Meguna / Foul Gesture, Israel, 2006). Escrito por Ya'ackov Ayali e Gal Zaid. Dirigido por Tzahi Grad. Michael Klienhouse é um homem comum. Após sua esposa fazer um gesto obsceno para Dreyfus, um violento veterano de guerra, ele passa a sofrer perseguições. O filme ganha certa profundidade quando analisa o uso da violência para resolver problemas do cotidiano como o verdadeiro gesto obsceno do título. Filme israelense, de ação e de arte. Se é positivo, eu não sei, às vezes, fiquem com a impressão de estar vendo Bruce Willis na tela. 3 estrelas.
18. A Raiva (La Rabia, Argentina, 2008). Escrito e dirigido por Albertina Carri. A trama acompanha a vida de um grupo de pessoas no árido Pampa Argentino. Da forma crua e visceral que mostra o abate de um porco para um churrasco, por exemplo, o filme apresenta a relação entre seus personagens. A falta do que fazer é tamanha, que eles precisam do sexo para se ocupar. Algo que me incomoda neste longa é a presença pontual de animações. Parecem-me que servem apenas para prolongar o tempo da produção. 3 estrelas.
19. A Boa Vida (Buena Vida, La / Good Life, Chile/Argentina/Espanha/França, 2008). Escrito por Mamoun Hassan, Rodrigo Bazaes e Andrés Wood. Dirigido por Andrés Wood. A narrativa acontece à Alejandro González Iñárritu, porém seus personagens nunca conseguem se tornar interessantes como os dos filmes do cineasta mexicano. As tramas pouco marcantes também não prendem o expectador. É um filme simpático, não mais que isso. 3 estrelas.
20. Guerra sem Cortes (Redacted, EUA/Canadá, 2007). Escrito e dirigido por Brian De Palma. Reciclado da Mostra de São Paulo de 2007. De Palma falando sobre a Guerra do Iraque no estilo de... “Cloverfield? Pois é, até que o filme entrete, mas há uma falha terrível: forçado e repleto de melodrama barato. A sutileza passou longe desse longa. Repleto de personagens unilaterais e caricatos, o ponto forte é boa intenção. 3 estrelas.
21. A Casa das Cotovias (La Masseria Delle Allodole / The Lark Farm, Itália/Bulgária/Espanha/França, 2007). Escrito e dirigido por Paolo Taviani; Vittorio Taviani, baseado em romance de Antonia Arslan. Não conheço a obra dos Taviani. Este filme foi uma lamentável apresentação. A história tinha tudo para dar certo, mas nunca decola. A direção conduz a trama de forma estranha. As interpretações deveriam ser dramáticas, mas são risíveis. Reações absurdas, não pelo contexto, mas das formas que foram apresentadas. 2 estrelas.
22. Encarnação (Encarnación, Argentina, 2007). Escrito por Anahí Berneri, Mariana Dolores Espeja, Gustavo Malajovich e Sergio Wolf. Dirigido por Anahí Berneri. Apresenta uma história introspectiva sobre Erni Levier, uma ex-estrela do cinema Argentino que se nega aceitar a passagem do tempo. Habilmente, o roteiro mostra que, apesar de manter grande sensualidade, Erni prende-se a um padrão estético e comportamental de outrora, submetendo-se a situações embaraçosas que não mais condizem com sua realidade. Filme atraente, assim como sua protagonista. 2 estrelas.
23. Acne (Acné, Uruguai/Argentina/México/Espanha/EUA, 2007). Escrito e dirigido por Federico Veiroj. Após perder a virgindade aos 13 anos, o objetivo de Rafael Bregman é beijar uma garota. Rafael ainda precisa lidar com a separação dos pais, os problemas do dia-a-dia e espinhas. Filminho simpático que pode causar identificações pontuais. 2 estrelas.
24. Alexandra (Александра (Alexandra) / Aleksandra, Rússia/França, 2007). Escrito e dirigido por Aleksandr Sokurov. Alexandra Nikolaevna faz uma visita ao neto na Chechênia, um soldado russo respeitado. Lá encontra um mundo miserável, sem conforto e destruído. Tentei gostar desse filme, juro. Mas a legenda estava péssima, sem sincronia, isso quando tinha legenda. Se ao menos estivesse legendado em inglês, mas nem isso. Ficou difícil acompanhar o longa falado em russo e checheno. No mais, percebi uma história bem pacata e constatei a simpatia da personagem protagonista. 2 estrelas.
25. O Banquete (L’Abbuffata / The Feast, Itália, 2007). Escrito por Mimmo Calopresti e Monica Zapelli. Dirigido por Mimmo Calopresti. É um filme legalzinho sobre três jovens que querem fazer um filme e procuram um ator para estrelá-lo. No entanto, não há como torcer para os rapazes, pois o roteiro despreza qualquer legitimidade do desejo deles. Eles parecem estar movidos por capricho ou vaidade. O roteiro ainda oferece uma subtrama de romance sobre a garota que prefere um ator canalha a um dos rapazes. Poderia ter rendido uma boa análise sobre a atração que a fama provoca, mas o tema também é descartado e resolvido de forma conveniente. Na verdade, o filme é sobre a participação de Gerard Depardieu como ele mesmo. Nada além disso. 2 estrelas.
26. Filme Pirata (Kaizokuban / Kaizokuban Bootleg Film, Japão, 1999). Escrito e dirigido por Masahiro Kobayashi. Filme que presta homenagem a Tarantino e outros cineastas. Alternando entre momentos inspirados e outros constrangedores, o longa permanece do início ao fim de forma irregular. 2 estrelas.
27. O Renascimento (Ai No Yokan / The Rebirth, Japão, 2007). Escrito e dirigido por Masahiro Kobayashi. Troféu “Paciência tem limite” (3º lugar). Se tiver paciência para agüentar a rotina de duas pessoas na qual pouco acontece e pouco muda de um dia para o outro, encare. Caso contrário, fuja. 2 estrelas.
28. Na Cidade de Sylvia (En La Ciudad De Sylvia / In The City Of Sylvia, Espanha, 2007). Escrito e dirigido por José Luis Guerin. Troféu “Paciência tem limite” (2º lugar). O longa mais parece um vídeo do tipo “visite Paris”. 2 estrelas.
29. Cavalo de Duas Pernas (Asbe Du-Pa / Two Legged Horse, Irã, 2008). Escrito por Mohsen Makhmalbaf. Dirigido por Samira Makhmalbaf. Mirvais, um garoto afegão que vive em uma tubulação de esgoto aceita trabalhar como um cavalo, transportando nas costas um garoto que perdeu as pernas na guerra. Sinceramente, não queria que esse filme fosse tão ruim. Depois de tudo que Mirvais passa com a exploração do outro garoto, ele merecia mais. O maior problema deste longa para mim não é a exploração absurda, mas a narrativa extremamente irregular e falha. 2 estrelas.
30. Velha Juventude (Youth Without Youth, Romênia/EUA/Alemanha/Itália/França, 2007). Escrito e dirigido por Francis Ford Coppola, baseado em romance de Mircea Eliade. Oh, Coppola, oh, Coppola, o que é isso? Deixa esse tipo de roteiro para Charlie Kauffman. Pelo menos ele não se perde nas próprias idéias. A premissa prometia, Tim Roth até que tentou, mas poxa vida... Oh, Coppola! 2 estrelas.
31. Soul Carriage (Idem, China/Reino Unido, 2006). Escrito e dirigido por Conrad Clark, baseado em estória de Saleh Karama. Troféu “Paciência tem limite” (1º lugar). Li a sinopse, mas me enganei, era o resumo do filme. Não há mais nada do que as quatro linhas de sinopse que li. A trama, simplesmente, não desenvolve. 1 estrela.
32. M – Vidas Duplas (Emu / M, Japão, 2006). Escrito por Hisashi Saito, baseado em romance de Seishu Hase. Dirigido por Ryuichi Hiroki. Dos filmes que vi no festival, este foi o mais esdrúxulo, de reações mais bizarras e personagens mais destrambelhados. Tudo isso mal feito e de forma maçante. Filme de nada, sobre coisa nenhuma, no melhor estilo Uwe Boll. 1 estrela.
1. This Is England (This Is England, Reino Unido, 2006). Escrito e dirigido por Shane Meadows. Sem dúvida, o melhor filme que conferi no festival. Apresenta a integração do garotinho Shaun como mascote em um grupo de skinheads durante a década de 80. O grupo é bacana, veste figurino punk, alguns vandalismos leves, mas nada da violência que podíamos esperar. Até que aparece Combo, um conhecido da trupe, que oferece uma luta por um ideal nacionalista. A principio, toda a conversa faz sentido e, como o próprio Shaun, acreditamos na legitimidade dos ideais de Combo. Mais tarde, Shaun percebe que tudo não passa de um grande eufemismo para os verdadeiros sentimentos daquele grupo. É um pequeno-grande filme que capta o momento de transformação dos skinheads de um grupo urbano sem grandes ideologias para defensores fervorosos da direita nacionalista. Exemplar despretensioso, mas que causa uma forte impressão. 5 estrelas.
2. E Buda Desabou de Vergonha (Buda Az Sharm Foru Rikht / Buddha Collapsed Out Of Shame, Irã/França, 2007). Escrito por Marzieh Makhmalbaf. Dirigido por Hana Makhmalbaf. O filme é curtinho, é levinho, mas tem um peso emocional social enorme. O que lhe chama a atenção é a sua grande densidade. Ou seja, oferece muito, contando pouco. Coincidentemente, também acompanha a história de uma criança. Desta vez, a garotinha afegã Baktay de seis anos, que mora perto da estátua de Buda destruída pelos talibãs. Ela é encorajada por um amigo a ler e a escrever e seguimos sua tentativa de chegar à escola, mas encontra diversos reflexos de uma sociedade violenta/violentada. Além disso, a garotinha protagonista é adorável. Desde o início até a frase final, tudo está concatenado com o brilhante título. Belíssimo filme. 5 estrelas.
3. Sinédoque, Nova York (Synecdoche, New York, EUA, 2008). Escrito e dirigido por Charlie Kaufman. Típico filme “Kaufmaniano”. “Sinédoque, Nova York”, de uma forma ou de outra, receberia um enorme número de críticas. Seu ponto fraco é um disfarce do ponto forte: a complexa metalinguagem. Complexidade e exagero que são essenciais à proposta. Muitos podem considerar que Kaufman se perde, abusa, excessede-se, principalmente, na terceira parte do filme. Na verdade, o roteiro mergulha, profundamente, na metalinguagem, e toma vida própria, perdendo-se por si só de propósito. Se não fosse assim, reclamariam que ele não teria explorado bem o tema. E ter permitido o roteiro seguir sozinho foi corajoso de sua parte. Ora, se ele oferece uma arte que imita a vida literalmente, o próprio desenvolvimento da arte deve integrar a arte e assim por diante. Inevitavelmente, acaba gerando uma grande e interminável sinédoque de idéias. Então chegamos justamente onde o diretor teatral Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman, magnífico. Oscar?) se encontra: perdido no sentido de sua própria vida. Excelente filme, quero revisitá-lo em breve. 5 estrelas.
4. Feliz Natal (Brasil, 2008). Escrito por Selton Mello e Marcelo Vindicatto. Dirigido por Selton Mello. Deselegantes planos fechados de Mello. Porém, são justificáveis, pois quanto mais próximos estamos dos integrantes daquela família, mais queremos nos afastar. O incômodo, a opressão são todos transmitidos através da linguagem narrativa. Porém, o abuso do recurso é uma faca de dois gumes, já que aborrece após 20 minutos de projeção. Apesar disso, é um filme denso e maduro. Todo elenco cumpre bem a sua função. Excelente a participação de Darlene Glória, vivendo uma personagem desajuizada, mas que possui as opiniões mais perspicazes. No meio de personagens tão sem esperança, os amigos de Caio (Leonardo Medeiros) também se destacam por retratar, com perfeição, o cotidiano de um grande número de brasileiros, que se utilizam do humor para lidar com a desgraçada existência. 4 estrelas.
5. REC ([Rec], Espanha, 2007). Escrito por Jaume Balagueró, Luiso Berdejo e Paco Plaza. Dirigido por Jaume Balagueró e Paco Plaza. A trama apresenta a repórter Ângela e seu câmera gravando a rotina dos bombeiros para um programa de TV. Quando ocorre um chamado, eles vão juntos a um prédio onde os moradores estão apavorados. O que era uma situação de rotina se transforma em uma noite de horror. Depois de “A Bruxa de Blair”, que despertou o terror em primeira pessoa, vieram bons exemplares como esse “Rec” e “Cloverfield”. Não o considero genial, mas não há como negar toda sua eficiência ao que se propõe: assustar. Em breve, chega a refilmagem estadosunidense “Quarentena”. Muito provavelmente, dispensável. Este longa é bacana, é objetivo, conta com boas atuações, roteiro bem amarradinho, boa direção, e vale a pena conferir a língua espanhola em uma produção do gênero. Enfim, funciona bastante. 4 estrelas.
6. Queime Depois de Ler (Burn After Reading, EUA/Reino Unido/França, 2008). Escrito e dirigido por Ethan Coen e Joel Coen. Irmãos Coen em ótima forma. Sátira de humor negro sobre espionagem com ótimas atuações, com destaque para John Malkovich e Brad Pitt. Precisa falar mais? 4 estrelas.
7. Fatal (Elegy, EUA, 2008) Escrito por Nicholas Meyer, baseado em romance de Philip Roth. Dirigido por Isabel Coixet. O professor universitário sessentão David Kepesh (Ben Kingsley) provoca grande fascínio em suas alunas. É então que ele conhece Consuela Castillo (Penélope Cruz), por quem viria a desenvolver uma paixão adolescente. E não é que eles demonstram uma excelente química. Claro que isto se deve ao talento de seus intérpretes (Oscar?). No entanto, o fato de formarem um par fora do normal é bem aproveitado pelo roteiro. Ao invés de optar pelo fácil, que seria a reação da sociedade, o enredo mergulha nos dramas internos dos personagens. Acompanhamos o personagem de Kingsley tentando confiar na relação e lutando contra os próprios tabus. 4 estrelas.
8. O Menino do Pijama Listrado (The Boy In The Striped Pyjamas, Reino Unido, 2008). Escrito por Mark Herman, baseado em romance de John Boyne. Dirigido por Mark Herman. O longa apresenta a visão ingênua de Bruno, um garoto alemão filho de um oficial de Hitler, sobre fatos da II Guerra Mundial. O grande trunfo do filme reside na pureza contrastada com a realidade já conhecida. Temos ciência dos perigos que Bruno enfrenta sem saber, o que oferece uma grande tensão durante todo a trama. Essa adaptação me lembra muito o genial “O Labirito do Fauno”. Enquanto a criança daquele vive uma realidade paralela para fugir da dura realidade, a deste interpreta os fatos de uma forma leve. Para mim, é inevitável comparar as duas obras, fazendo com que o filme de Herman ganhe menos prestígio do que merece. Afinal, é um belo filme. 4 estrelas.
9. Um Conto de Natal (Um Conte De Noël / A Christmas Tale, França, 2008). Escrito por Arnaud Desplechin e Emmanuel Bourdieu. Dirigido por Arnaud Desplechin. Reunião familiar, mágoas, decepções, reavaliações, superações nas festas de fim de ano. Qualquer comparação com “Feliz Natal” de Selton Mello é mera coincidência. As semelhanças param por aí. Enquanto a direção de Desplechin é elegante, Mello abusa dos planos fechados e câmera nervosa. Os personagens de “Um Conto de Natal” tentam superar as diferenças, enquanto os de “Feliz Natal” afundam em amargura. É um bom filme, mas dura mais do que o desejado. 4 estrelas.
10. Rebobine, por Favor (Be Kind Rewind, EUA, 2008). Escrito e diigido por Michel Gondry. Está certo que algumas das situações apresentadas neste novo trabalho de Gondry soam implausíveis. Mas, primeiro, elas não se levam a sério; segundo, é incontestável que rendem ótimos momentos. Não sei como não se divertir nas tentativas absurdas de Jack Black e Mos Def de refilmar grandes clássico do cinema estadosunidense. Humor leve e contagiante. Tem tudo para se tornar um clássico da “Sessão da Tarde”. 4 estrelas.
11. Waltz With Bashir (Idem, Israel/Alemanha/França, 2008). Escrito e dirigido por Ari Folman. Um ex-combatente combatente da Guerra do Líbano nos anos 80 (o próprio diretor Ari Folman) está sendo atormentado por um recorrente sonho sobre cães raivosos. Ele acredita que pode estar relacionado a sua experiência na guerra. Então procura colegas para lembrar, pois sua memória fez questão de apagar tudo. O ponto forte desta animação é a objetividade (Oscar?), retratando com perfeição os efeitos da guerra na mente de um ex-soldado. 4 estrelas.
12. Rock'n'Rolla - A Grande Roubada (RocknRolla, Reino Unido, 2008). Escrito e dirigido por Guy Ritchie. Típico filme de Ritchie. Quem o curte, vai se divertir. Quem não o curte, vai achar uma baboseira sobre gangsteres. O ponto negativo é que Guy Ritchie está ficando sem assunto. A grande diferença desse projeto para “Snatch” e “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” é a presença ainda mais forte do humor. Mas se George A. Romero é apaixonado por mortos-vivos, por que Ritchie não pode ser por gangsters? 4 estrelas.
13. Easy Virtue (Idem, Reino Unido, 2008). Escrito por Stephan Elliott e Sheridan Jobbins, baseado em peça de Noel Coward. Dirigido por Stephan Elliott. Está é uma adaptação de uma peça de teatro britânica, levada às telas por Alfred Hitchcock e agora refilmada por Stephan Elliott. Mas para minha surpresa, o enredo se trata de uma versão de época e pomposa de “Entrando numa Fria”, que por sua vez, é uma refilmagem de “Meet the Parents” de 1992 que nunca chegou ao Brasil. Onde eu quero chegar: troféu “Romeu e Julieta”, tema mais usado do que cama de bordel. Tem seus pontos positivos, claro. Destaque para o humor refinado de Colin Firth. 3 estrelas.
14. Cordeiro de Deus (Cordero De Dios / Lamb Of God, Argentina/França/Chile, 2008). Escrito por Lucía Cedrón, Santiago Giralt e Thomas Philippon Aginski. Dirigido por Lucía Cedrón. Os realizadores deste filme encontraram um meio interessante para falar da opressão ditatorial na Argentina da década de 70. Arturo, um veterinário é seqüestrado, e sua neta Guillermina fica encarregada das negociações. Aos poucos, segredos do passado envolvendo perseguições políticas vêem à tona, ilustrando que os efeitos da ditadura podem percorrer décadas. 3 estrelas.
15. Minha Mágica (My Magic, Singapura, 2008). Escrito por Eric Khoo; Kim Hoh Wong. Dirigido por Eric Khoo. O filme conta com uma fotografia terrível. Mal se consegue enxergar o que acontece na tela. Entretanto, a sua trama acaba compensando. Francis trabalhava como mágico. Após ser deixado pela esposa, ficou responsável pelo filho Rajr e entregou-se a bebida. Quando percebe ser uma péssima influência como pai, retorna aos números de mágica e dedica-se a redenção com o filho, mesmo que precise ir até as últimas conseqüências. 3 estrelas.
16. Tora-San, Nosso Adorável Vagabundo (Otoko Wa Tsurai Yo / Tora San Our Lovable Tramp, Japão, 1969). Escrito por Azuma Morisaki e Yôji Yamada. Dirigido por Yôji Yamada. Imagine um Carlitos falastrão, beberrão e de olhos puxados. Esse é Torajiro, vulgo Tora-San. Apesar de ser muito mala, esbanja carisma. É ótimo vê-lo em cena. Queria ter visto as duas seqüências, por incompatibilidade de horários, não deu. 3 estrelas.
17. Gesto Obsceno (Tnuah Meguna / Foul Gesture, Israel, 2006). Escrito por Ya'ackov Ayali e Gal Zaid. Dirigido por Tzahi Grad. Michael Klienhouse é um homem comum. Após sua esposa fazer um gesto obsceno para Dreyfus, um violento veterano de guerra, ele passa a sofrer perseguições. O filme ganha certa profundidade quando analisa o uso da violência para resolver problemas do cotidiano como o verdadeiro gesto obsceno do título. Filme israelense, de ação e de arte. Se é positivo, eu não sei, às vezes, fiquem com a impressão de estar vendo Bruce Willis na tela. 3 estrelas.
18. A Raiva (La Rabia, Argentina, 2008). Escrito e dirigido por Albertina Carri. A trama acompanha a vida de um grupo de pessoas no árido Pampa Argentino. Da forma crua e visceral que mostra o abate de um porco para um churrasco, por exemplo, o filme apresenta a relação entre seus personagens. A falta do que fazer é tamanha, que eles precisam do sexo para se ocupar. Algo que me incomoda neste longa é a presença pontual de animações. Parecem-me que servem apenas para prolongar o tempo da produção. 3 estrelas.
19. A Boa Vida (Buena Vida, La / Good Life, Chile/Argentina/Espanha/França, 2008). Escrito por Mamoun Hassan, Rodrigo Bazaes e Andrés Wood. Dirigido por Andrés Wood. A narrativa acontece à Alejandro González Iñárritu, porém seus personagens nunca conseguem se tornar interessantes como os dos filmes do cineasta mexicano. As tramas pouco marcantes também não prendem o expectador. É um filme simpático, não mais que isso. 3 estrelas.
20. Guerra sem Cortes (Redacted, EUA/Canadá, 2007). Escrito e dirigido por Brian De Palma. Reciclado da Mostra de São Paulo de 2007. De Palma falando sobre a Guerra do Iraque no estilo de... “Cloverfield? Pois é, até que o filme entrete, mas há uma falha terrível: forçado e repleto de melodrama barato. A sutileza passou longe desse longa. Repleto de personagens unilaterais e caricatos, o ponto forte é boa intenção. 3 estrelas.
21. A Casa das Cotovias (La Masseria Delle Allodole / The Lark Farm, Itália/Bulgária/Espanha/França, 2007). Escrito e dirigido por Paolo Taviani; Vittorio Taviani, baseado em romance de Antonia Arslan. Não conheço a obra dos Taviani. Este filme foi uma lamentável apresentação. A história tinha tudo para dar certo, mas nunca decola. A direção conduz a trama de forma estranha. As interpretações deveriam ser dramáticas, mas são risíveis. Reações absurdas, não pelo contexto, mas das formas que foram apresentadas. 2 estrelas.
22. Encarnação (Encarnación, Argentina, 2007). Escrito por Anahí Berneri, Mariana Dolores Espeja, Gustavo Malajovich e Sergio Wolf. Dirigido por Anahí Berneri. Apresenta uma história introspectiva sobre Erni Levier, uma ex-estrela do cinema Argentino que se nega aceitar a passagem do tempo. Habilmente, o roteiro mostra que, apesar de manter grande sensualidade, Erni prende-se a um padrão estético e comportamental de outrora, submetendo-se a situações embaraçosas que não mais condizem com sua realidade. Filme atraente, assim como sua protagonista. 2 estrelas.
23. Acne (Acné, Uruguai/Argentina/México/Espanha/EUA, 2007). Escrito e dirigido por Federico Veiroj. Após perder a virgindade aos 13 anos, o objetivo de Rafael Bregman é beijar uma garota. Rafael ainda precisa lidar com a separação dos pais, os problemas do dia-a-dia e espinhas. Filminho simpático que pode causar identificações pontuais. 2 estrelas.
24. Alexandra (Александра (Alexandra) / Aleksandra, Rússia/França, 2007). Escrito e dirigido por Aleksandr Sokurov. Alexandra Nikolaevna faz uma visita ao neto na Chechênia, um soldado russo respeitado. Lá encontra um mundo miserável, sem conforto e destruído. Tentei gostar desse filme, juro. Mas a legenda estava péssima, sem sincronia, isso quando tinha legenda. Se ao menos estivesse legendado em inglês, mas nem isso. Ficou difícil acompanhar o longa falado em russo e checheno. No mais, percebi uma história bem pacata e constatei a simpatia da personagem protagonista. 2 estrelas.
25. O Banquete (L’Abbuffata / The Feast, Itália, 2007). Escrito por Mimmo Calopresti e Monica Zapelli. Dirigido por Mimmo Calopresti. É um filme legalzinho sobre três jovens que querem fazer um filme e procuram um ator para estrelá-lo. No entanto, não há como torcer para os rapazes, pois o roteiro despreza qualquer legitimidade do desejo deles. Eles parecem estar movidos por capricho ou vaidade. O roteiro ainda oferece uma subtrama de romance sobre a garota que prefere um ator canalha a um dos rapazes. Poderia ter rendido uma boa análise sobre a atração que a fama provoca, mas o tema também é descartado e resolvido de forma conveniente. Na verdade, o filme é sobre a participação de Gerard Depardieu como ele mesmo. Nada além disso. 2 estrelas.
26. Filme Pirata (Kaizokuban / Kaizokuban Bootleg Film, Japão, 1999). Escrito e dirigido por Masahiro Kobayashi. Filme que presta homenagem a Tarantino e outros cineastas. Alternando entre momentos inspirados e outros constrangedores, o longa permanece do início ao fim de forma irregular. 2 estrelas.
27. O Renascimento (Ai No Yokan / The Rebirth, Japão, 2007). Escrito e dirigido por Masahiro Kobayashi. Troféu “Paciência tem limite” (3º lugar). Se tiver paciência para agüentar a rotina de duas pessoas na qual pouco acontece e pouco muda de um dia para o outro, encare. Caso contrário, fuja. 2 estrelas.
28. Na Cidade de Sylvia (En La Ciudad De Sylvia / In The City Of Sylvia, Espanha, 2007). Escrito e dirigido por José Luis Guerin. Troféu “Paciência tem limite” (2º lugar). O longa mais parece um vídeo do tipo “visite Paris”. 2 estrelas.
29. Cavalo de Duas Pernas (Asbe Du-Pa / Two Legged Horse, Irã, 2008). Escrito por Mohsen Makhmalbaf. Dirigido por Samira Makhmalbaf. Mirvais, um garoto afegão que vive em uma tubulação de esgoto aceita trabalhar como um cavalo, transportando nas costas um garoto que perdeu as pernas na guerra. Sinceramente, não queria que esse filme fosse tão ruim. Depois de tudo que Mirvais passa com a exploração do outro garoto, ele merecia mais. O maior problema deste longa para mim não é a exploração absurda, mas a narrativa extremamente irregular e falha. 2 estrelas.
30. Velha Juventude (Youth Without Youth, Romênia/EUA/Alemanha/Itália/França, 2007). Escrito e dirigido por Francis Ford Coppola, baseado em romance de Mircea Eliade. Oh, Coppola, oh, Coppola, o que é isso? Deixa esse tipo de roteiro para Charlie Kauffman. Pelo menos ele não se perde nas próprias idéias. A premissa prometia, Tim Roth até que tentou, mas poxa vida... Oh, Coppola! 2 estrelas.
31. Soul Carriage (Idem, China/Reino Unido, 2006). Escrito e dirigido por Conrad Clark, baseado em estória de Saleh Karama. Troféu “Paciência tem limite” (1º lugar). Li a sinopse, mas me enganei, era o resumo do filme. Não há mais nada do que as quatro linhas de sinopse que li. A trama, simplesmente, não desenvolve. 1 estrela.
32. M – Vidas Duplas (Emu / M, Japão, 2006). Escrito por Hisashi Saito, baseado em romance de Seishu Hase. Dirigido por Ryuichi Hiroki. Dos filmes que vi no festival, este foi o mais esdrúxulo, de reações mais bizarras e personagens mais destrambelhados. Tudo isso mal feito e de forma maçante. Filme de nada, sobre coisa nenhuma, no melhor estilo Uwe Boll. 1 estrela.